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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Suficientemente suficientes ;

Veja só, menino, vim falar de você. Soubera tu que depois de tanto tempo, fui só agora me pegar tão só. É que só agora notei o quanto estava perdida no olhos teus. É só que meu abraço se encontrou tão pequeno e vazio depois que você se foi... e meu coração agora bate descompassado, coitado, porque antes batia em perfeita sonoridade com o teu. Pobres dos meus cabelos, menino, que sentem tanta falta dos teus afagos. Soubera tu que meus pés procuram os teus todas as manhãs em vão e encontram apenas um ao outro como nos encontramos um dia... Aquele frio dia em que tínhamos apenas um ao outro e que, se podes se lembrar, era tão suficiente. Ah, pequeno... pudera tu largar teu tudo um pouquinho por mim e deixar tua falta com um amargo um pouco mais ameno. Largaria talvez todos os medos em que se apegou, para que assim, talvez, coubesse eu no lado esquerdo da tua cama e do teu peito de novo. E então até mesmo minhas mãos encontrariam outra vez tua barba mal feita e, quem sabe, meu sorriso colaria de vez no teu. Ah, amor... soubera tu a falta que faz a segurança da tua mão em minha cintura e a tua toalha molhada na minha cama. Quisera tu jogar tua roupa e teu tempo pela minha casa mais uma vez e tomar-me o suco e a tarde por completos. Pudera tu declamar mais um Drummond ao pé do meu ouvido e ajudar-me a enxugar a casa molhada de chuva e de lágrimas brigadas com tua ida. Pudera eu ter a audácia de te pedir pra ficar, menino, coisa que nunca fiz. Dissera-te eu as tantas juras que já de manhã não valiam nada. Entreguei-te meus dias e, de tonta, não percebi que junto deles iam pouco a pouco pedaços de mim. Deparei-me por fim sem ti e sem mim. Culpa da minha coragem cega que o susto fez questão de roubar. O susto de te perder, menino. O susto que tu me deste meia semana inteira com a tua ausência tão barulhenta que cantava nas janelas. Tal susto fez-me perceber que nem sentido, nem nós nunca havia existido. Mas que era a única forma que eu sabia viver. E que o medo de não acordar nem de perto assusta tanto quanto o medo de não saber se voltas. Mas se voltas, menino, peço-te que fique. Seja mais uma tarde, ou uma vida; mas fique. Seja para tomar meu suco ou minha cintura; mas fique. E que nós nos tornemos suficientemente suficientes de novo.

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